A língua girava no céu da boca
 
 
A língua girava no céu da boca. Girava! Eram duas bocas, no céu único.

O sexo desprendera-se de sua fundação, errante imprimia-nos seus traços de cobre. Eu, ela, elaeu.

Os dois nos movíamos possuídos, trespassados, eleu. A posse não resultava de ação e doação, nem nos somava. Consumia-nos em piscina de aniquilamento. Soltos, fálus e vulva no espaço cristalino, vulva e fálus em fogo, em núpcia, emancipados de nós.

A custo nossos corpos, içados do gelatinoso jazigo, se restituíram à consciência. O sexo reintegrou-se. A vida repontou: a vida menor.
 
Autor: Carlos Drummond de Andrade
» Ações
            

» Dados sobre o Poema
Título A língua girava no céu da boca
Autor Carlos Drummond de Andrade
Visitado 25890 vezes
Enviado 89 vezes



» Enviar este Poema
 
Seu nome
Seu e-mail
Nome do Destinatário
E-mail do Destinatário
Escreva uma Mensagem
  
 

© Copyright 1998 - 2014 Poemas de Amor. Todos os direitos reservados.