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Poema enviado por: ELAINE CRISTINA CUNHA
 
Quando nossa vida afetiva ficou desgastada, parece que isso se refletiu em tudo na vida, principalmente por não me sentir amada, desejada. E foi o momento de parar e refletir o que estava acontecendo.

Chegou um momento em que nossas vidas estavam insuportáveis, já não nos falam mais a não ser o necessário, não havia respeito, cumplicidade, amizade, brigavamos por tudo, e fiz uma análise e indaguei o que ainda tinhamos em comum, além de morar sob o mesmo teto e termos um filho.



Entretanto, a resposta de minha análise profunda optou pela separação, entendo de maneira consciente de que a separação não é uma saída mágica, nem simples. Separar-se de forma saudável, sem culpas, manipulações ou preconceitos, não é fácil, como não foi de fato.



Conversam várias vezes e chegamos à conclusão de que o melhor é dissolver sua união... Porém, não aconteceu bem assim!



A separação ainda é uma experiência extremamente dolorosa e desgastante.

O desejo de separar-nos não aconteceu de repente. Só ficou claro quando não havia mais respeito, confiança, admiração, nem amor ou atração... É pior quando se sente que não é mais possível realizar os desejos com o outro, quando não há mais sonhos em comum, quando não há mais saudade, vontade de estar junto.



Aconteceu que o Paulo não percebeu ou finjiu que não percebeu, mas eu, aos poucos, fui dando sinais do desgaste, pois ninguém deixa de amar de uma hora para outra. O gesto da separação pode parecer repentino, mas o desejo já estava presente há muito tempo, por mais que não tenha sido verbalizado para as pessoas da familia, embora falamos algumas vezes disso... mas não se deu credibilidade...



Qualquer decisão tomada na vida, implica em ganhar algumas coisas e perder outras, abrir certas portas e cerrar outras. Enfrentar perdas, contudo, é um dos maiores problemas do ser humano. Por isso, a perda de um relacionamento, de uma possibilidade de vida em que se acreditou um dia, precisa ser elaborada. Para elaborarmos essa perda com menos sofrimento, precisamos pensar... Eu pensei tanto...



Com nossa separação, tomamos as atitudes necessárias para cumprir a decisão, e senti um certo alívio, pois, com isto, acabaram as brigas, as discussões intermináveis e os maus humores...



Tudo tem limites!

Apesar de não ser fácil aceitar essa realidade, ninguém pode impor viver ao lado de quem não se quer mais para dividir a vida.



Essa ruptura foi um processo que ocorreu em diversos níveis. No plano externo, precisei comunicar meu desejo, mas o mais difícil foi processo interno, psíquico da maioria das pessoas. Nesse plano, o processo de elaboração da perda começa antes da decisão e, em geral, pude observar que terminara muito depois da separação. Provei dos outros (alguns familiares) sentimentos inevitáveis, entendo que foram e são mecanismos de defesa como a agressividade, a fuga e a total desvalorização da minha pessoa. Muitas pessoas colocam-se em constante movimento, ocupando todo seu tempo e negando seus desejos e emoções mais autênticas, o que não contribui em nada para a superação do momento.



Estou aproveitando este momento de elaboração para transformar a crise em algo enriquecedor, encarando como uma oportunidade de reconstrução de meu próprio "eu". Ao elaborar todas as raivas, culpas e tristezas e assumindo minha responsabilidade, adquirindo a capacidade de perdoar a mim mesma e aos outros.



O passado não pode ser mudado, mas poderei aprender com ele. readquirindo a confiança para dar os próximos passos. Em conseqüência do crescimento pessoal, estou fazendo um balanço de meus sentimentos mais íntimos e experiências passadas, não para ficar chorando, mas para aprender e crescer ainda mais.



Os momentos de solidão são inevitáveis, mas estão sendo vividos com dignidade e serenidade. Eles vem oferecendo uma oportunidade de me conhecer mais e mais, de me tornar responsáveis por mim mesma, ter confiança em minha capacidade de pensar, discernir e ir em frente. Reestruturando minha auto-imagem, reaprenderemos a me amar, sem esperar mais do outro.



A fim de evitar o imenso desconforto que tudo isso causa, muita gente prefere manter relacionamentos que já não têm sentido. Para não se tornar uma vítima de si próprio e da opiniao dos outros, é importante reconhecer esses sentimentos e aceitá-los, para aprender a lidar com eles. É isso que faço.
 
Autor: ELAINE CRISTINA CUNHA MICHELINI
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Título acabou
Autor ELAINE CRISTINA CUNHA MICHELINI
Categoria Infelicidade
Cadastro 26/11/2008 14:08:32
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