Injunção da Pena de Talião
Poema enviado por: Mauro Leal
 
Injunção da Pena de Talião
(Mauro Leal)

Um certo Marinheiro vivia à família a aterrorizar
tirando "onda" de que era o tal
e insistia em entristecer e abalar:

- Vocês vão vê, vou de "saco, mala, cuia e maca"
para o Arquipélago dos Abrolhos,
vou de todos esquecer, e la não tem como
o saco murcho do velho homem do mar, encher
pois o acesso é tão difícil
que o navio não pode atracar
e é da embarcação no meio do atlântico
que a aeronave decola para às ilhas alcançar.

E assim os meses foram passando,
e na noite eletrizante de sábado de carnaval
do cimo do farol de Santa Bárbara
a contemplar as ilhas belas e as águas a bailar
teve um pressentimento de arrepiar,
caiu em depressão e desesperadamente
para a desprestigiada patroa
fez uma intercortada ligação
e em meios aos batuques de recos-recos, tamborins, cavacos, cuícas, pandeiros e baterias,
pôde capitar que dizia que estava nas pontinhas
das sapatilhas esbanjando saúde, alegria e simpatia:

(Ela) - "Mô" agora estou a um passo da Passarela
do Mestre Darcy, a avenida Marquês de Sapucaí,
chegou o momento "mágico" da mangueira brilhar,
preciso me ajeitar, e logo após a ovação apoteótica,
vou incorporar e enroscar o espinhaço nos blocos
do Cordão do bola preta, no Vai quem quer,
no Encosta que ele cresce, no das Piranha, do Arregaça e no Galo da madrugada, até o sol raiar.
- E pra curar a ressaca, vou mergulhar
nas águas transparentes de Copacabana,
a princesinha do mar,
e sob os esplendorosos raios solar o "bronze" retocar.
- "Mozão", não tens noção como queria tanto
os babados te contar,
mas o momento não é propício, não posso mais falar,
assim que passarem os blocos e o enterro dos ossos,
o tempo todo será nosso.
- Sabe aquela songamonga, sereia do brejo,
de démodé não tem nada mais a ver,
pode crer, levou uma guaribada, e está a "poder",
ficou um "pitelzão", e sendo aclamada de "avião".
parece até que foi no programa da televisão,
aquele de transformação.
estou igual a você quando saia para as baladas
nas noitadas todo bonitão.
- As bibas do barracão, deram uma moral,
meteram uma pintura corporal, com chocalho,
apito, penacho, tapa sexo
e tanguinha camuflada de naval,
ficou um espetáculo, ficou muito legal,
vou postar no Instagram, Facebook , Whapsapp, Emartfhone, etc... vou tudo mostrar,
você vai se emocionar, amar,
curtir, comentar e compartilhar.

(Ele) Como é que é? não entendi nada não,
a ligação está uma negação,
como assim? clareia isso aí!

(Ela) - Então "Benzin",
encosta bem o aparelho no "ouvidim",
vou falar bem "rapidim",
porque o mestre "tonhão" que ensinou tudo "certim"
está ansioso pra botar a batuta em ação,
e já já entrar no refrão:
"vou beijar-te agora
não me leve a mal hoje é carnaval".

Enquanto a estreante carnavalesca no maior astral,
decolava, perfumada, bronzeada, pernas saradas,
rebolando e "cofrinho pagando", no festejo carnal,
o austero "Cabo Velho",
endoidecia na ilha que nada tinha de fantasia,
enchendo a "carranca" de cana, ameaçando se lançar
nas profundezas das águas frias entre as feras do mar
por saber que a mulher que escolheu pra casar,
estava a se esfregar nos cangotes dos tarados foliões
a pouco de se acabar.

Diante da traumática alucinação e desolação, solidarizavam, consolavam
e aconselhavam a deletar a rede social,
e abster-se de TV,
pois um Acidente Vascular Cerebral poderia sofrer,
e devido às circunstância
não ter como a situação reverter.

Fica a dica estressados cidadãos
ao "cobertor de orelha" não subestimar,
pois la no altar prometeram:
na alegria ou na tristeza amar.

Fiquem espertos e aprendam a lição,
se não vão chorar lágrimas de arrependimento
no colchão surrado, acatingado,
babado e de polução noturna recheado.
 
Autor: Poeta Mauro Leal
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Título Injunção da Pena de Talião
Autor Poeta Mauro Leal
Categoria Amor
Cadastro 21/02/2020 02:27:44
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